segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ESPANTOS

Neste mundo de tantos espantos,
Cheio das mágicas de Deus,
O que existe de mais sobrenatural
                                      São os ateus...




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Poeta Mário Quintana
in BAÚ DE ESPANTOS, 4ª ed. EDITORA GLOBO, pag.31

LIBERDADE


Anjo da libertação
Que um dia desatarás os nós que me escravizam a este corpo,
Eu te louvo desde já,
Te agradeço desde já,
Abraço-te agora e sempre,
Pois sei que maior e mais felicidade que liberdade
Não há.

Liberdade de voar,
De expandir mais a visão,
Sacudir a dor destas doenças mortais,
Recuperar a teia do conhecimento causal,
Reencontrar velhos amores,
Ó maravilhas que só a libertação dará!

Mas neste momento então,
Preciso pedir perdão,
Afoito como só eu sou,
Ajuda-me não ser fujão,
Covarde de ocasião
E a usar melhor as mãos
Realizando as tarefas, semeando o pão.
Do passo a passo divino do Evangelho Cristão.
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Madrugada do dia 21.01.2013
Ingleses do Rio Vermelho (Santinho) – Ilha de Santa Catarina



OS PERIGOS DE SABER


O perigoso de se saber muito
É a prepotente arrogância do finito
Sobre o infinito,
A triste pretensão de sentir-se maior do que o impossível
E os melhores poetas sempre
Sempre
Caem nessa armadilha
Até Walt Whitman
Nas relvas das suas preciosas pisadas
Também chicoteou o humilde carpinteiro,
Aquele, o único, O Escolhido,
O Filho do Pai que tinha (e tem) o Infinito Amor
No seu coração – e na palma da mão –
Para saciar a sede desta
                 Pobre humanidade ignorante,
Escrava do egoísmo e do orgulho –
Chagas da superação.

Sem problemas!
Whitman, Neruda, Vinicius, qualquer dos sábios
Acrobatas das palavras,
Sempre serão perdoados,
Seus pequenos deslizes nem arranham
O Plano da Criação.
“Nenhuma das ovelhas se perderá”,
Nem essas mais brilhantes renegadas,
Desgarradas,
Distanciadas do rebanho.

Ó velha e humana vaidade!
Basta incursionar nas matemáticas,
Nas equações da racionalidade que prova,
Pra se descobrir que ao finito (todos nós)
Jamais será dada a possibilidade da compreensão do Infinito,
Que de pena e puro Amor
Enviou-nos um dia este Jesus Carpinteiro, e este a Buda,
Maomé, Krishina, Sai Baba e Prema Sai,
Para amenizar a dor da nossa imensa orfandade
Neste caminhar no Eterno – mariposas,
Em busca da lâmpada,
Do fogo,
Da Luz,
Pra diluir toda esta terrível pequenez cósmica,
Mas... pero,
 Jorge Luiz Borges, este dos de nós pequenos, um gigante,
Arriscou assim
“... La puerta Del suicida está abierta, pero lós teólogos afirman
Que em La sombra ulterior Del outro reino, estaré yo,
Esperándome.” (*)
Por las dudas, ou melhor, por sábio ...
Não brincou demais com essas portentosas forças
Do Reino do humilde Carpinteiro.
Sim, todos se salvam ao final, até Saramago
Com seu Evangelho que nunca li – admito,
Mas prefiro essa sagacidade do Borges que
Em palavras elevadas é apenas  o povo que diz
“No creo em brujas, pero ...”